Personalidades homenageadas em 2017

Jaime Gregório Custódio
Nasceu a 16 de Março de 1943 na Ribeira do Magro, lugar de Casal Novo, freguesia de Amor, Concelho e Distrito de Leiria, foi batizado na Igreja de S. Paulo, Paróquia de Amor, a 11 de Abril do mesmo ano.
Casou com Leonilde Pedra Duarte Passagem a 08 de Agosto de 1964, tem 2 filhos e 4 netos.
Formação académica
Aos 6 anos de idade, deslocava-se diariamente a pé para a Escola Primária de Amor, onde frequentou a instrução Primária.
Depois da 4a Classe, frequentou e concluiu com a aprovação no exame de aptidão profissional, o Curso de Formação Industrial (5o. Grupo) na Escola Industrial e Comercial de Leiria, para onde se deslocava diariamente de bicicleta.
Em 1965, candidatou-se e concluiu, como aluno externo, o Curso de Ciências do Liceu Nacional Salvador Correia em Luanda.
Em 2003, terminou o Curso Geral de Formação Teológica (4 anos), no Seminário da Diocese de LeiriaFátima e em 2010, o Curso de Iniciação à Reflexão Teológica.
Actividade social e cívica no Casal Novo e na Freguesia de Amor
Como residente no lugar do Casal Novo incentivou e participou em várias atividades desportivas, recreativas e culturais, salientando-se o futebol, o folclore e o teatro. Contribuiu para a elaboração dos Estatutos do Grupo Desportivo de Casal Novo, aprovados em Abril de 1970, pelo Ministério da
Educação Nacional. Antes e depois da aprovação dos Estatutos, fez parte da equipa de futebol como Guarda-redes e quase sempre como capitão da mesma. Exerceu funções diretivas no Clube, das quais, vários mandatos como Presidente, tendo-se empenhado na aquisição do terreno para a construção do campo de futebol e da sede social do Grupo Desportivo. Com muito orgulho e vontade de bem servir, era convidado juntamente com dois outros jogadores do Casal Novo, para jogar pela equipa de futebol da sede de Freguesia de Amor.
Em 1975 empenhou-se fortemente na aquisição do terreno para a construção da Escola Primária do Casal Novo, em substituição da existente que se encontrava em precárias condições. Empenhou-se na aprovação de duas salas de aula pela Câmara Municipal e depois pelo Ministério da Educação. Ainda em 1975, fez parte de um pequeno grupo de voluntários, na alfabetização de adultos no Casal Novo, empenhou-se, em colaboração com a Comissão de Moradores do lugar, na abertura de várias novas ruas, na reconstrução da fonte e lavadouro público, na elaboração e aprovação da 1ª toponímica do Casal Novo.
Em 1976 participou na fundação do Rancho Folclórico do Grupo Desportivo de Casal Novo, sendo animador do mesmo durante mais de 10 anos e Presidente durante alguns mandatos. Para o efeito, estudou a etnografia (usos, tradições e costumes) da freguesia e região, para estar verdadeiramente preparado para promover o Rancho do Casal Novo e a freguesia de Amor, em todos os lugares onde atuaram, salientando-se os convívios promovidos pela Rádio Renascença e, como únicos representantes da Freguesia de Amor, na Comemoração do dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, realizado em Leiria no ano de 1980.
Em 1997 em Amor, fez parte da Comissão para a elaboração, aprovação e assinatura Notarial dos primeiros Estatutos da Sede do Centro Social da Casa de Povo de Amor, assim como da aquisição e assinatura notarial do terreno, para a construção do mesmo.
Actividade política
Empenhou-se na formação e eleição da Comissão Administrativa da Freguesia de Amor (pós 25 de Abril), rejeitando com a colaboração do povo, a que tinha sido imposta pela Câmara Municipal.
Enquanto militar, estava impedido de uma participação política mais ativa.
Na reforma, aceitou participar na lista de um partido político durante vários atos eleitorais, como candidato independente à Assembleia Municipal de Leiria. Não foi possível exercer esse serviço público à comunidade porque os votos do partido não chegaram ao número necessário para a eleição.
Actividade profissional Militar desde os 18 anos de idade, concorreu como voluntário para a Força Aérea, onde, como Especialista Mecânico de Rádio, exerceu com todo o entusiasmo e dedicação, a profissão e as missões que lhe foram confiadas na área militar, técnica, cultural e desportiva. Prestou serviço na Província de Angola, no Continente e nas Ilhas dos Açores, na Força Aérea e nas Tropas Paraquedistas.Para o efeito, frequentou no âmbito militar, vários cursos técnicos de especialização, de reciclagem, de segurança e de promoção. Foi Porta-estandarte Nacional. Fez parte do 1o Conselho Pastoral da Força Aérea e da Comissão de preparação e recepção ao Papa São João Paulo II em 1991 na BA5.
Durante a vida militar, foi agraciado com algumas menções honrosas, louvores e condecorações, salientando-se a medalha de “Mérito Militar”, de “Ouro de Comportamento Exemplar” e o direito de usar a insígnia da condecoração coletiva, da “medalha de ouro, valor militar com palma”. Reformou-se como Capitão Técnico de Manutenção de Material Electrónico e é sócio da Liga dos Combatentes.

Adelino Carvalho Clemente
Nasceu no dia um de janeiro de 1932, em Barreiros, sendo o mais novo de três irmãos.
Completou a Quarta Classe aos 13 anos e foi trabalhar como servente de pedreiro. Depois, foi para a Marinha Grande trabalhar no vidro e como aprendiz de serralheiro.
Aos vinte e um anos foi cumprir o serviço militar obrigatório em Leiria e em Santa Margarida, durante um ano e meio.
Após este período, trabalhou de uma forma precária e decidiu, no ano de 1955, tirar a carta de condução profissional. Esta abriu-lhe caminho para uma nova fase da sua vida. Começou por transportar materiais de construção, durante mais ou menos um ano e meio. De seguida, foi motorista numa fábrica de cerâmica na Marinha Grande. Foi nesta empresa, em 1957, que o Sr. Adelino iniciou a sua carreira contributiva.
A cinco de outubro deste mesmo ano casou com a Sr^ M? Alice Gomes Rainho. Deste matrimónio surgiram sete filhos, nove netos e um bisneto. Em 1964 pediu uma licença para comercializar gás BP, ficando este negócio ao encargo da sua esposa. No entanto, este facto levou-o a ser conhecido por muitos como “Sr. Adelino do gás”.
Em 1960 abriu um concurso para a Caixa Vidreira da Marinha Grande, ao qual concorreu e conseguiu entrar no dia oito de agosto desse mesmo ano, para a categoria de contínuo com carta de condução. A dois de setembro de 1961 foi transferido para a Caixa de Previdência de Leiria, onde se manteve até 1992, data da sua aposentação.
Após a sua transferência para Leiria decidiu ir estudar à noite. Desta forma, no ano de 1962, concluiu o Primeiro Ciclo do Liceu. De seguida, inscreveu-se e frequentou o quinto ano na secção de letras. No entanto, os seus estudos foram interrompidos devido à sua carreira profissional. Ele foi
promovido a motorista e não conseguia conciliar as duas coisas.
Durante todo este tempo, para além da sua vida pessoal e profissional, o Sr. Adelino desenvolveu atividades políticas e sociais na nossa freguesia.
O seu primeiro envolvimento político foi em 1975, convidado pelo Sr. Bento Esperança, de Barreiros, para organizar as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte. De 1976 a 1979 foi secretário da Junta de Freguesia de Amor, a qual era presidida pelo Sr. Joaquim Esperança Pereira.
Durante este período fundou a Casa do Povo de Amor, da qual foi presidente até 2001. Durante este tempo a Casa do povo passou a chamar-se Centro Social da Casa do Povo de Amor (CENSOCAPA). No ano de 1994 voltou a ser membro da Junta de Freguesia, presidida pelo Sr. Alípio Gouveia, no cargo de tesoureiro.

Mário Martinho
Nasceu a 10 de dezembro de 1924, filho de Catarina e João Martinho. Nasceu e cresceu em Casal dos Claros/ Coucinheira, freguesia de Amor.
Neto de camponeses, começou a trabalhar desde muito pequeno, praticamente quando começou a dar os primeiros passos. Iniciou o seu percurso profissional a trabalhar com o seu pai na olaria, quando tinha entre seis e sete anos. Aos doze/ treze anos, passou a trabalhar na faniqueira, a fazer as travessas para as linhas ferroviárias. Trabalhou ainda, descalço, na mata, com os homens que a limpavam e fez cavacos (lenha) para as fogueiras
das máquinas dos comboios.
Fez-se homem a trabalhar e aos dezoito anos, em 1943, a vida levou-o à Fábrica Ricardo dos Santos Gallo. Lá iniciou-se dando serventia aos pedreiros,
mas trabalhou também, posteriormente, o vidro como atiçador. Passou a ajudante de motorista dos camiões da fábrica, aspirando um dia poder ocupar esta função na plenitude.
No entanto, Mário Martinho não tinha a instrução primária essencial para exercer a função de motorista, uma vez que era necessário saber ler para tirar a carta de condução. As suas raízes de trabalhador e o seu espírito de dedicação levaram-no, contudo, a fazer a terceira classe e, depois de sete
semanas no Porto, a tirar a carta de condução de veículos ligeiros e pesados.
Este foi um passo fundamental na profissão de motorista que exerceu durante vinte anos, percorrendo Portugal de norte a sul. Simultaneamente, foi a
primeira pessoa da freguesia a obter a permissão para possuir um carro de praça, um serviço semelhante aos atuais táxis.
Depois de vários anos ao serviço da Fábrica Ricardo dos Santos Gallo, Mário Martinho aposentou-se, com cerca de 40 anos, dedicando-se à construção, à agricultura, à produção de fornos para cozer o pão, entre outras atividades.
Uma das suas maiores obras foi, porém, a parte substancial da sua vida que dedicou à aldeia onde nasceu, cresceu e ainda hoje vive. Foi ele que iniciou o popular Carnaval no Casal dos Claros e era ele que ensaiava o Rancho Folclórico da aldeia, cujas letras das músicas eram assinadas pela sua mão. Aquando do seu nonagésimo segundo aniversário, os seus filhos e netos reuniram as letras das suas músicas num livro intitulado «As Cantigas do Avô Mário».
Casou em outubro de 1947 com Conceição Alves e permaneceram casados durante sessenta e oito anos. Desse casamento nasceram três filhas
e um filho, mas a herança genealógica de Mário Martinho permanece: tem oito netos, seis bisnetos e dois trinetos. Um homem muito divertido, alegre, por natureza bem-disposto. Um homem trabalhador, dedicado, esforçado, indomável. Um grande homem, um grande esposo, um grande pai, um grande avô, bisavô e trisavô — a ele muito deve a sua aldeia e a sua família, orgulhosa por fazer parte dos noventa e dois anos de história de um homem que com as próprias mãos construiu uma vida.

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